IBV Auto · Julho 2026

Vencedores e Perdedores de Julho 2026: Celta reaparece no topo, Fox despenca e 16 estados caem

Publicado em 6 de agosto de 2026·Fonte: Banco BV (IBV Auto)

O IBV Auto de julho fechou quase de lado para o Brasil (+0,07%), mas nos extremos o mês teve movimento. Pelo resumo divulgado pelo Banco BV, o GM Celta subiu 2,62% e o VW Fox caiu 2,01% — quase 4,7 pontos percentuais entre o topo e o fundo. Duas viradas chamam atenção: o Fox, que vinha de valorização forte em junho (+2,53%), virou a maior queda de julho; e o clássico Celta reapareceu na liderança das altas, sinal do apetite por popular barato de entrada.

Os modelos que mais valorizaram em julho

O GM Celta (+2,62%) no topo diz muito sobre o momento. É um carro fora de linha desde 2015, de baixíssimo valor de entrada, e quando ele lidera a valorização o recado é de demanda empurrada para a base da pirâmide: quem foi expulso do zero-km e do seminovo mais caro procura o usado mais barato que ainda roda bem. É o mesmo fenômeno que colocou Kwid e Fox no topo em meses anteriores.

O Fiat Palio (+2,20%) segue a mesma lógica de popular de baixo custo com demanda firme. Já o Nissan Kicks (+1,92%) é o ponto fora da curva positivo: um SUV compacto num pódio dominado por populares de entrada. A alta do Kicks sugere que o segmento de SUV de entrada seminovo encontrou um piso e voltou a ter procura, depois de meses de pressão.

Os modelos que mais perderam em julho

A maior queda foi do VW Fox (-2,01%), e ela é quase um espelho do mês anterior. Em junho, o Fox foi a segunda maior ALTA do país (+2,53%); em julho, a maior queda. Movimento clássico de correção: subiu demais, devolveu parte. Para quem tem um Fox e não vendeu na alta de junho, o momento ideal passou.

O Jeep Compass (-1,74%) é o dado mais estrutural da lista. SUV médio de ticket alto, ele sofre com a pressão dos SUVs chineses (BYD Song, Chery Tiggo) e com a chegada de novas gerações híbridas que tornam o Compass a combustão menos desejado no usado. Não é correção pontual; é tendência de segmento.

O GM Onix (-1,11%) fechando o trio negativo é o sinal mais importante para o índice como um todo. O Onix é o carro mais vendido do Brasil: quando ele cai, puxa o IBV inteiro. A queda de julho ajuda a explicar por que o número nacional praticamente parou, mesmo com Celta e Palio subindo forte.

Por estado: a virada que o número nacional esconde

Se em junho os 27 estados subiram juntos, julho fez o oposto: 16 dos 27 fecharam em queda. O Amapá liderou com +0,71% e o Piauí despencou -1,08%, a maior queda do mês. É uma reviravolta e tanto para o Piauí, que estava entre os estados que mais valorizavam no primeiro semestre — exatamente o tipo de mercado que sobe rápido e depois corrige.

No agregado regional, só o Centro-Oeste (+0,29%) e o Sul (+0,22%) seguraram a alta. O Nordeste (-0,19%) foi a região que mais recuou, com Norte (-0,07%) e Sudeste (praticamente zero, -0,01%) no meio do caminho. É a geografia da desaceleração: o interior produtor do Centro-Oeste e do Sul ainda sustenta preço, enquanto Nordeste e Norte já entraram em correção.

Gráfico de barras da variação mensal por estado em julho de 2026, com 16 estados no vermelho, Amapá no topo (+0,71%) e Piauí no fundo (-1,08%)
Julho: 16 estados em queda. Amapá no topo, Piauí no fundo. Fonte dos dados: Banco BV (IBV Auto). Gráfico: PlacaCompleta.

Cruzamento exclusivo: valorização x custo de seguro por estado

Aqui vai uma leitura que só o PlacaCompleta pode publicar, porque junta os dados do IBV com a nossa análise de seguro por estado (base SUSEP corrigida pelo IPCA). Cruzando os 27 estados, não existe relação clara entre valorizar e ser caro de segurar — a correlação é de meros 0,12. Ou seja, escolher um estado achando que "onde valoriza é onde o seguro pesa" não se sustenta nos números.

Com uma exceção que salta aos olhos: o Rio de Janeiro reúne as duas piores pontas pro dono. Lidera a valorização em 12 meses (+7,65%, ou seja, você paga caro pra comprar) e tem, ao mesmo tempo, o seguro mais caro do país (R$ 2.615/ano na nossa cesta de populares). No extremo oposto está São Paulo: a menor valorização do país em 12 meses (+4,46%, mais fácil comprar barato) combinada com seguro apenas mediano. Para quem tem flexibilidade de onde comprar e emplacar, o dado é concreto: SP é o combo mais leve, o Rio o mais pesado.

Gráfico de dispersão cruzando valorização do usado em 12 meses com seguro médio por estado, com o Rio de Janeiro destacado no canto de maior valorização e maior seguro
Cada ponto é um estado. O Rio (vermelho) é a exceção que junta alta valorização e seguro caro. Fontes: Banco BV (IBV Auto) e análise SUSEP/IPCA do PlacaCompleta.

Líderes em 12 meses: MG e RJ empatam na frente

No acumulado de 12 meses até julho, a hierarquia é de empate no topo:

  • Minas Gerais: +7,66%
  • Rio de Janeiro: +7,65%
  • Rio Grande do Sul: +6,51%

MG e RJ tecnicamente empatados, separados por 1 centésimo. Na ponta menor: Pará (+4,14%), Mato Grosso (+4,37%) e São Paulo (+4,46%). SP entre os últimos, de novo, reflete o mercado paulista mais líquido e concorrido, que segura os preços do usado para baixo — bom para quem compra, menos bom para quem vende. O IBV do Brasil em 12 meses está em +6,10%.

Como usar essa informação

Se você tem Celta, Palio ou Kicks, julho foi um bom mês e o momento de venda segue favorável. Se tem VW Fox, a janela boa foi junho: ele já virou pra queda. Se tem Jeep Compass ou Onix, a pressão é real e tende a continuar; adiar a venda tem custo. No mapa, quem vende no Piauí, Nordeste ou Norte pega o mercado local em correção; quem vende em MG, RJ ou RS ainda surfa o acumulado de 12 meses. E se você compra e segura o carro, lembre do combo: SP pesa menos no total, o Rio pesa mais. Para elétricos, veja o post dedicado de julho.

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